Numa altura em que os ambientalistas reforçam o combate ao uso de OGM, o cientista sublinha as suas vantagens.
«Actualmente, 30% das culturas em todo o Mundo perdem-se devido a doenças, pestes e ervas daninhas», mas a biotecnologia pode aumentar significativamente a produtividade, defende o investigador.
Os cientistas estão também a desenvolver experiências que podem revolucionar o combate às doenças: num futuro não muito distante, poderá dispensar algumas idas ao médico para ser vacinado e substituí-las pelo consumo de alguns alimentos que lhe permitirão ficar imune à doença.
Mas há mais vantagens: já estão concluídos os estudos de uma nova variedade de arroz que está geneticamente modificado para produzir betacaroteno, que permitirá colmatar as deficiências em vitamina A, uma carência muito comum em crianças asiáticas. O arroz dourado, como é conhecida esta variedade, assumiu uma dimensão tão grande que «há institutos públicos que se dedicam quase exclusivamente ao estudo da aplicação deste tipo de arroz na Ásia», explicou o bastonário.
Os transgénicos são muito contestados pelas organizações ambientalistas, mas o biólogo chama a atenção para os estudos que estão a criar plantas mais tolerantes à secura, permitindo, deste modo, combater o processo de desertificação.
Actualmente, Portugal proíbe a produção de transgénicos, mas não o seu consumo, situação que para Pedro Fevereiro só pode ser apelidada de «inconsistente». Segundo o cientista, o Governo apenas optou por esta atitude proibicionista «porque dava jeito mostrar que o Executivo estava a defender o ambiente».